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11 de ago. de 2021

Comunismo, Cristianismo e Corporativismo, Gustavo Barroso

 

Capa do livro


Informações do livro:

Autor: Gustavo Barroso
Editora: ABC
Ano da edição: 1938
Páginas: 164


Para lê-lo em PDF, clique aqui.



ÍNDICE DA OBRA


Introdução (p. 7)


Capítulo I — COMUNISMO


Que é em verdade o Comunismo (p. 11)


Capítulo II — CRISTIANISMO


O Cristianismo (p. 43)


Capítulo III — CORPORATIVISMO


O Corporativismo na França (p. 55)

O Corporativismo na Alemanha (p. 67)

O Corporativismo na Áustria (p. 80)

O Corporativismo em Portugal (p. 87)

O Corporativismo no Brasil (p. 97)


Capítulo IV — A IGREJA, O COMUNISMO E O CORPORATIVISMO


Carta Encíclica Divini Redemptoris (p. 107)

28 de jul. de 2021

Integralismo e Catolicismo, Gustavo Barroso

Capa do livro


Informações do livro
Autor: Gustavo Barroso
Editora: ABC
Ano da edição: 1937
Páginas: 286

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ÍNDICE DA OBRA


I — O INTEGRALISMO E A IGREJA


O Cristo e o Estado Integral


INTEGRALISMO E CRISTIANISMO (p. 7)


A IGREJA E A POLÍTICA (p. 9)


JESUS CRISTO REI (p. 15)


OS SACERDOTES DO CAPITAL (p. 22)


A DECADÊNCIA DO ENSINO (p. 26)


ORAÇÃO E VIGÍLIA (p. 31)


DOIS ESNOBISMOS (p.36)


DIREITO CRISTÃO DAS NAÇÕES (p. 42)


CONTRA OS MANIQUEUS (p. 50)


CONCEITO CRISTÃO DE CULTURA (p. 55)


SANTO TOMÁS E O TALMUD (p. 60)


SI NON LICET VOBIS... (p. 65)


A FAMÍLIA ATRAVÉS DAS CIVILIZAÇÕES (p. 71)


A CONJURA DAS TREVAS (p. 81)


NEM MEDIEVAIS, NEM EXTREMISTAS (p. 87)


CORPORAÇÃO OBRIGATÓRIA E SINDICALIZAÇÃO LIVRE (p. 93)


SINDICALIZAÇÃO DE TODAS AS CORES (p. 101)


A ATITUDE DOS CATÓLICOS EM FACE DO INTEGRALISMO (p. 111)


II — A DOUTRINA SOCIAL CATÓLICA (p. 117)


A ENCÍCLICA (p. 118)


"RERUM NOVARUM..."


QUADRAGÉSIMO ANNO


CÓDIGO SOCIAL


BASES DE ORGANIZAÇÃO E PROGRAMA DOUTRINÁRIO E DE AÇÃO DO SINDICALISMO OPERÁRIO CATÓLICO (p. 273)


III — A CARTA BRASILEIRA DO TRABALHO


CARTA BRASILEIRA DE TRABALHO: DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS (p. 281)

18 de nov. de 2019

Gustavo Barroso — A Mancenilha (1917)

A Mancenilha
    Uma a uma as lendas vão morrendo. E eu temo que, dentro em pouco, neste pratico seculo de invenções portentosas, não reste mais aos espiritos fatigados da aspereza scientifica o afago poetico de uma só.

    Cada dia desce uma lenda ao tumulo. Tudo quanto sobre ella se disse ou escreveu parece muito velho, muito remoto e muito saudoso. Em breve, todas as lendas que faziam as doçuras da poesia estarão esquecidas. Na vertiginosa carreira da humanidade para o progresso, vão ficando esparsas e perdidas á maneira de fôlhas outomnaes, que o vento tange e escurraça. Dahi essa feição naturalista das coisas literarias de hoje., em que a verdade apparece em completa e explendida nudez ou velada pelo "manto diaphano da fantasia".

    Entre as mais poeticas e adoraveis lendas, a da mancenilha occupava um dos primeiros logares.

    Diziam que quem se deitasse á sua sombra lethal morreria lentamente, num inefavel adormecimento, em que o cerebro talvez divagasse em pensamentos de amor ou se embebesse em languidas volupias. Era um doce morrer, um suave murchar de sensações.

    Os poetas se apoderaram da arvore assassina e não houve mais soneto, poema, elegia, ode ou ballada, em que não estivesse com o brando murmurio das ramarias, a sombra alegre e tentadora, cujas exhalações adormentavam e matavam. Quanto amor desesperado, quanto sentimento ferido de desprezo, quanta paixão louca e brutal foram encontrar nella a quietação, a paz, o doce esquecimento da morte! Quantos bardos de esgrouviada cabelleira, menestreis de rôtos sutambaques a silenciosa mancenilha não matou!

    Na "Morte de Dom João", a voluptuosa Imperia diz:

"Foge de mim, trovador! 
Não voltes mais! acredita,
Sou a arvore maldita,
A mancenilha do amor"
Gustavo Barroso em 1913
    E diante das filhas, maceradas por noites de amor, as velhas mães piedosas exclamam:
"Com quem fostes dormir ao pé das mancenilhas!?"
    Mas dessa lyrica lenda o grande triumpho foi quando os versos de Scribe e Meyerbeer a levaram ao palco, em 1865, no final da opera "A Africana". Desde então, a mancenilha ficou consagrada.

    Era uma linda scena aquella em que a lubrica Selika suavemente morria sob a arvore maldita, emquanto no horizonte se afundava a caravella branca do navegante que lhe roubára o coração. E a orchestra gemia a musica illuminada de Meyerbeer.

    Surge agora na França o Sr. Coutance, medico que esteve longo tempo na Martinica, o qual afirma, peremptoriamente, ao mundo scientifico que a mancenilha não exhala vapores mortiferos e ninguem se intoxica no ameno refugio de sua folhagem. Segundo as observações apuradas do scientista, é uma inofensiva e innocentissima arvore. O tal Sr. Coutance acrescenta que, em vez der ser venenosa, é util: provoca adormecimentos, porém não fataes e sim optimos para os que sofrem de insomnias rebeldes. Eis a dura e sombria verdade: a mancenilha não mata !

    E os poetas que suicidaram? E as formosas creaturas que para sempre adormeceram? E os versos de Scribe e de Guerra Junqueiro? E a partitura de Meyerbeer?

    Nada disso salvará a mancenilha. Ella morreu, depois de ter morto muita gente em musica e rimas. Matou-a o Sr. Coutance desde o dia em que começou a estudar seus efeitos sobre os doentes do hospital de Fort de France. Prosaico Sr. Coutance !...

    Pobre mancenilha, não serás mais a salvadora dos desesperados, que iam acolher ao somno delicioso da morte sob tua copa frondosa, embora crescesses viçosamente nas Antilhas e na Africa, e elles tangessem a lyra em Lisboa ou em Paris !

    Onde irão agora os poetas dormir e esquecer? O velho Scribe andou mentindo e o guerra não falou a verdade. Assim, a douta razão da sciencia vai despindo a poesia, gralha bulenta, das fulgidas pennas do pavão ! Numa nova edição da "Morte de Dom João", talvez encontremos Imperia a dizer:
"Sou a essencia maldita! Sou a morphina do amor!"
    Digam os poetas adeus á lenda da mancenilha, agradeçam o descobrimento notavel do Sr. Coutance e se disponham, neste rebrilhante seculo de portentos, a cantar suicidios em aeroplanos e submarinos ou junto de baterias de frascos de chloroformio, descrevendo adormecimentos amorosos com injecções hypodermicas feitas com as seringas de Lüer...

"Vieilles legendes, vieilles lunes !"

BARROSO, Gustavo. Idéas e Palavras. 1ª edição. Rio de Janeiro: Leite Ribeiro & Maurillo, 1917.

17 de nov. de 2019

O Perigo Branco (1909)


    Publicado em 1909, o romance "A Batalha", de Claude Farrère, explora o tema da modernização do Japão e o processo de rejeição de suas tradições e costumes através da visão do pintor francês João Francisco Felze. O romance, que se desdobra durante os eventos da Guerra Russo-Japonesa, culmina na vitória da Terra do Sol Nascente sobre o já moribundo e estagnado império ocidental: momento este que marca o reconhecimento do Japão como potência imperial pelas nações europeias. Recebeu em 1935 sua tradução à língua portuguesa pelo grande acadêmico Gustavo Dodt Barroso, da qual extraímos o seguinte trecho:

    "Felze, informado dos hábitos, quis tirar os sapatos; mas a criada, de novo prosternada, impediu-o respeitosamente.
    — Está bem! resmungou com certo espanto, conservam-se as botas na casa dos marqueses?
    Ligeiramente decepcionado no seu gosto pelo exotismo, resignou-se a só tirar o chapéu [...].
    E João Francisco Felze, de cabeça descoberta e pés calçados, entrou no salão da marquesa Yorisaka.
    Um bouduir de parisiense, elegantíssimo, na última moda, que seria trivialíssimo em qualquer lugar, menos a três mil léguas do parque Monceau. Nada que traísse o Japão. As próprias alcatifas nacionais, os tatames, mais macios e fofos do que quaisquer outros do mundo, haviam sido substituídos por tapetes de lã. Tapeçarias à Pompadour vestiam as paredes e cortinas de damasco penduravam-se das janelas com vidraça! Cadeiras, poltronas, uma espreguiçadeira e um sofá estavam no lugar das clássicas esteirinhas de palha de arroz ou dos quadrados de veludo escuro. Um grande piano de Erard enchia um canto. Diante da porta de entrada, um espelho Luís XV refletia, talvez com espanto, as carinhas amarelas das musmés ao invés das faces rosadas das francesinhas.
    Pela terceira vez, a criada fez sua prosternação e retirou-se, deixando Felze só. Ele deu dois passos, olhou para a direita e para a esquerda; depois praguejou violentamente:
    — Santo Deus! [...] Que adiantou a felicidade única de ter vivido dez séculos no mais esplêndido isolamento, fora de todas as influências despóticas que podaram nossa originalidade ocidental, livres do jugo egípcio, livres do jugo helênico! Que adiantou ter tido a China impenetrável como baluarte contra a Europa e Confúcio como cão de guarda contra Platão! . . . Que adiantou, para tropeçar, no fim de tudo, no plágio e na macaqueação, acabando numa gaiola de periquito de Paris ou de Londres, ou pior, de Nova York ou de Chicago! . . .

[ . . . ]

    —  Hum! —  pensou Felze, não são talvez os soldados de Linevitch nem os navios de Rozhestvensky que ameaçam mais neste momento a civilização japonesa, mas antes isto aqui, a invasão pacífica, o perigo branco . . ."